GT-TJ CCT Histórico / Considerações


 Praia da Ponta Negra, Reserva Ecológica da Juatinga, Paraty, RJ  © EcoBrasil-Ibio

Histórico da Capacidade de Carga

Determinação da capacidade de carga dos locais de visitação, seja em espaço público ou privado, é de grande importância para a gestão.

O procedimento inicial de cálculo da Capacidade de Carga Turística (CCT), foi aplicado pela primeira vez no Parque Nacional Galápagos, como parte da revisão do Plano de Gestão de 1984, resultando em um número de visitantes com base em um processo sistemático desenvolvido por Miguel Cifuentes.  Após esta experiência, Cifuentes refinou a metodologia na Costa Rica, onde foi aplicado em várias áreas protegidas (1990 e 1992).

Considerações iniciais

O crescente interesse pelo turismo na natureza nos países em desenvolvimento, detentores da maior diversidade do planeta, criou a necessidade de fixar diretrizes ou limites claros para ordenar e manejar a visitação em áreas protegidas, sobretudo nas mais frágeis.

A determinação da capacidade de carga não deve ser tomada como um fim e nem como solução para os problemas advindos da visitação. Deve ser considerada como uma ferramenta de planejamento que possibilita e requer decisões de manejo.

Apesar dos avanços e da diversidade de métodos desenvolvidos pós CCT, no momento de determinar limites, nota-se uma carência de procedimentos, que, além de confiáveis, sejam práticos e aplicáveis, enquanto coerentes com a realidade local. Este cenário implica em estabelecer métodos de fácil aplicação, que reconheçam a carência de pessoal capacitado e da capacidade de manejo, a insuficiência de informações e a dificuldade de se poder, em países em desenvolvimento, contar com sistemas e tecnologia sofisticadas.

A capacidade de carga é relativa e dinâmica, pois depende de variáveis que podem mudar de acordo com as circunstâncias. Isso requer revisões periódicas, consequentes ao monitoramento, com um sistema contínuo de planejamento, pesquisa e ajuste de manejo.

Pelo fato de que na determinação da capacidade da CCT intervenham fatores relacionados a interesses e decisões humanas faz com que o conceito e os procedimentos para defini-la sejam controvertidos.

Como a capacidade de um local depende de suas características particulares, esta deve ser determinada separadamente para cada local de uso público, sendo que a simples soma das capacidades de todos os sites não pode ser tomada como a capacidade da área total.

Como parte da determinação da capacidade de carga, é imprescindível desenvolver e implementar um programa de monitoramento dos espaços de uso público para avaliar os impactos da visitação, com frequentes ajustes nas decisões de gestão. Este programa deve conter uma lista de indicadores a serem considerados no desenvolvimento do sistema de monitoramento para cada local ou infra-estrutura, muitos dos quais limitantes para o cálculo da capacidade de carga.

Limitantes Críticas

Às vezes, a existência de "limitantes críticas" será o determinante da capacidade de um local. Mesmo que o espaço físico turístico disponível e outras variáveis permitam um maior fluxo de visitantes, certos eventos ecológicos - p.ex. aves que nidificam na região de uma trilha, podem vir a limitar substancialmente as visitas permitidas pelo cálculo da CCT.

Por exemplo, se o cálculo da capacidade de carga de uma trilha que dá acesso a uma praia seja 50 visitas/dia, mesmo que a praia comporte 200 visitas/dia, a trilha é fator limitante da praia, uma vez que estes atrativos estão associados fisicamente.



Ou seja, se a infra-estrutura turística 'trilha-praia' forma um complexo interconectado com acesso único, é necessário que a capacidade de carga turística do complexo seja determinada pela estrutura de menor capacidade real, pois do contrário, haverá sobrecarga na trilha.

Para otimizar o uso público da praia, que permite 200 visitas/dia, pode-se tomar decisões de manejo, tais como:
- construir outra trilha de acesso;
- criar outras alternativas de acesso, p.ex. de barco, pelo rio;
- adequar a trilha para que permita mais visitas/dia, p.ex. melhoria de trecho em aclive com a construção de degraus.
 
Comentários Gerais

Toda determinação de capacidade de carga deve ter como base as categorias e os objetivos da área protegida.

A evolução do conceito e a diversidade de métodos de cálculo de capacidade de carga e manejo é consequência de uma permanente dinâmica que permitirá sempre aperfeiçoamentos.

Em sendo a determinação e aplicação da capacidade de carga sujeitas as decisões humanas, estas estão sempre sujeitas a julgamentos e/ou pressões sociais, econômicas e políticas, que desvirtuam a utilidade e uso desta ferramenta.

Tem-se que reconhecer que a capacidade de carga é relativa e dinâmica uma vez que depende de variáveis que decisões humanas e que em função de circunstâncias externas naturais, podem mudar.

As mesmas decisões que possibilitam a definição de uma capacidade de carga farão com que os locais de visitação variem, podendo fazer aumentar ou diminuir a capacidade de carga inicialmente definida. Este fato nos obriga a realizar revisões periódicas como parte de processo sequencial e permanente de planificação e ajuste do manejo da visitação em unidade de conservação.

Pelo motivo da capacidade de carga de um local (trilha, mirante, etc.) depender de suas características particulares, em áreas com mais de um local de visitação, a CCT deve ser determinada para cada local sujeito a uso público, em separado. A simples somatória das capacidades de carga dos locais de uso público não pode ser tomada como a capacidade para toda a área protegida.

Como mencionado, em determinadas situações, a existência de "limitantes críticas" será determinante da capacidade de carga de uma área. Isto significa que um sistema de trilhas ou espaços interligados, com acesso restrito ou limitado por cc definida como de baixo fluxo, pode determinar a limitação de acesso a áreas com cc menos restritivas. Por exemplo: calor intenso durante parte do dia no Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses; ou ventos fortes colocando em risco a navegação no Parque Nacional Marinho dos Abrolhos.

Deve-se considerar como unidade de medida de CCT "visitas/tempo/área" e não "visitantes/tempo/área" (apesar de ser mais fácil "medir" pessoas) pois uma mesma pessoa, alojada em um camping, visitando repetidamente, num determinado tempo, uma mesma área, ocasionará efeitos repetitivos e acumulativos. Ou seja é um visitante mas que pode realizar várias visitas a uma trilha, praia ou mirante.

Visitantes x Turistas

Apesar de parecer ser uma simples questão semântica, ao se referir à visitação em áreas protegidas, é melhor referir-se a "visitantes" e não "turistas". Esta distinção permitirá aos gestores aceitar unicamente atividades que não causem conflitos com os objetivos da unidade de conservação.

Um visitante deve compreender e aceitar que, desde o início da visitação, está sujeito a condições e regras diferentes que se aplicam a simples turistas, sobretudo no que se refere às infra-estruturas, aos serviços e às facilidades da unidade.

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Links
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